Setembro Amarelo nas empresas: o que o RH pode fazer além da campanha

Todo mês de setembro, muitas empresas publicam uma mensagem sobre o Setembro Amarelo, mudam a cor de algum material interno ou compartilham frases sobre prevenção ao suicídio. 

Essas ações têm valor. Elas ajudam a abrir conversas importantes. 

Mas para o RH, a pergunta mais importante é outra: o que a empresa faz depois da conscientização? 

 

Em 2025, o Brasil registrou 16.533 mortes por suicídio uma média de 45 casos por dia, segundo o Mapa da Segurança Pública do Ministério da Justiça. A taxa cresceu 23,2% entre 2020 e 2025. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é a quarta principal causa de morte, segundo a OMS. 

O tema do Setembro Amarelo 2026, promovido pelo CVV, é “Escutar é estar presente” — e essa mensagem diz muito sobre o que as empresas precisam fazer: não apenas falar, mas criar espaço para que as pessoas sejam ouvidas e encontrem caminhos reais de apoio. 

Colaboradores podem estar enfrentando sofrimento emocional, ansiedade, depressão, sobrecarga, conflitos ou dificuldades financeiras. Muitas vezes, isso aparece no trabalho como queda de produtividade, afastamentos, absenteísmo, irritabilidade ou isolamento. 

O Setembro Amarelo não deve ser tratado como campanha pontual. Deve ser uma oportunidade para revisar como a empresa cuida da saúde mental dos colaboradores e como usa seus benefícios de forma mais estratégica. 

O que é o Setembro Amarelo?

O Setembro Amarelo é a maior campanha antiestigma do mundo voltada para a prevenção do suicídio. O dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas as ações acontecem durante todo o mês. 

O objetivo é ampliar o diálogo sobre saúde mental, reduzir tabus e incentivar que pessoas em sofrimento busquem ajuda. No contexto das empresas, a campanha também convida RH, liderança e diretoria a olharem para o ambiente de trabalho com mais responsabilidade. 

Isso não significa transformar gestores em profissionais de saúde mental. O papel da empresa é criar condições para que o cuidado seja possível: comunicação clara, canais de apoio, acolhimento e encaminhamento para profissionais qualificados quando necessário. 

Por que esse tema importa para empresas?

Saúde mental não fica do lado de fora quando o colaborador entra no trabalho. 

Uma pessoa em sofrimento pode continuar entregando, participando de reuniões e cumprindo tarefas — mas isso não significa que esteja bem. Em muitos casos, o sofrimento aparece de forma silenciosa. 

Segundo a OMS, transtornos de saúde mental custam à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade. O Brasil é um dos países com maior prevalência de ansiedade do mundo, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). 

Quando o tema não é acompanhado, ele aparece na empresa como: 

  • Afastamentos e absenteísmo
  • Presenteísmo — a pessoa está, mas não consegue produzir bem
  • Queda de engajamento e aumento de conflitos
  • Sobrecarga nas lideranças
  • Maior uso do pronto-socorro e aumento da sinistralidade
  • Dificuldade de retenção

  

Além do impacto humano e financeiro, existe agora uma obrigação legal direta. A NR-1 atualizada, em vigor desde 2025, tornou obrigatório que empresas identifiquem e gerenciem riscos psicossociais no trabalho incluindo condições que afetam a saúde mental dos colaboradores. Ignorar esse tema é, além de insensível, um risco jurídico real para a organização. 

Como falar sobre prevenção ao suicídio no ambiente corporativo?

Falar sobre prevenção ao suicídio exige cuidado com linguagem, tom e intenção. 

A comunicação não deve romantizar sofrimento, expor histórias pessoais sem consentimento, simplificar causas ou colocar toda a responsabilidade no indivíduo com frases como “cuide-se” ou “procure um hobby”. 

Em vez disso, a empresa pode adotar uma abordagem mais responsável: 

1. Comunicar canais de apoio de forma clara 

O colaborador precisa saber onde buscar ajuda. Não de forma genérica — de forma objetiva e acessível. 

Isso pode incluir: 

  • Canal do plano de saúde empresarial para agendamento de psicólogo ou psiquiatra
  • Rede credenciada de saúde mental — com nomes, regiões e contatos
  • Telemedicina, quando disponível no contrato
  • Programa de apoio ao colaborador, se houver
  • CVV pelo telefone 188 — gratuito, 24 horas, sigiloso
  • Serviços de urgência e emergência quando houver risco imediato

  

Informação difícil de encontrar vira barreira de acesso. A comunicação precisa ser direta e fácil de usar. 

2. Orientar lideranças 

Lideranças não precisam diagnosticar ninguém. Mas precisam saber perceber mudanças importantes de comportamento, acolher sem julgamento e encaminhar corretamente. 

Um gestor despreparado pode minimizar o sofrimento de alguém ou responder de forma inadequada. Uma liderança bem orientada pode ajudar o colaborador a encontrar apoio com mais segurança. 

3. Evitar ações apenas simbólicas 

Frases motivacionais, murais e laços amarelos podem compor a campanha, mas não deveriam ser o centro da estratégia. 

A mensagem precisa sair do campo do “se cuide” e ir para o campo do “veja como acessar cuidado”. Uma curadoria dos profissionais disponíveis na rede credenciada, com orientação de como agendar, vale mais do que qualquer arte motivacional. 

4. Respeitar confidencialidade 

Saúde mental é um tema sensível. A empresa deve ter cuidado para não expor colaboradores, não estimular relatos públicos obrigatórios e não tratar sofrimento emocional como conteúdo de engajamento interno. 

Acolhimento precisa caminhar junto com privacidade. 

Como o Setembro Amarelo se conecta à gestão de benefícios corporativos?

A gestão de benefícios corporativos tem papel direto na forma como a empresa apoia a saúde mental dos colaboradores. 

Muitas empresas já possuem recursos importantes dentro do pacote de benefícios — mas eles são pouco utilizados porque não foram bem comunicados ou porque o colaborador não sabe por onde começar. 

O plano de saúde empresarial, por exemplo, pode oferecer acesso a consultas, terapias, psiquiatria, teleatendimento e programas de cuidado, dependendo da operadora e do contrato. Mas se o RH não tem clareza sobre a rede, os canais e as regras de utilização, fica mais difícil orientar a equipe. 

No Setembro Amarelo, isso pode se transformar em ações práticas: 

  • Mapear a rede credenciada de saúde mental disponível no plano
  • Criar comunicados simples sobre como agendar atendimento psicológico
  • Orientar o uso correto do plano de saúde para saúde mental
  • Conectar saúde mental com saúde ocupacional e NR-1
  • Organizar materiais de apoio para lideranças
  • Avaliar se os benefícios atuais atendem às necessidades reais da equipe

  

Esse cuidado também ajuda a reduzir sinistralidade no médio prazo — menos afastamentos mal acompanhados, menos uso reativo de pronto-socorro, mais acesso preventivo a cuidado. 

O que o RH pode fazer na prática

Uma campanha de Setembro Amarelo nas empresas não precisa ser complexa para ser relevante. O mais importante é que seja útil, responsável e conectada com os recursos reais da empresa. 

Criar um guia simples de acesso ao cuidado 

Um material de uma página explicando como acessar psicólogos pelo plano, consultar a rede credenciada, usar telemedicina, quais canais procurar em urgência e quem acionar internamente. Curto, direto e fácil de compartilhar. 

Fazer uma curadoria da rede credenciada 

Em vez de apenas enviar o link geral da operadora, mapear profissionais de saúde mental disponíveis, regiões de atendimento e possibilidades de agendamento online. Isso reduz uma barreira real para quem precisa de ajuda. 

Comunicar que pedir ajuda é legítimo 

Reforçar que buscar apoio psicológico ou psiquiátrico não deve ser motivo de vergonha, julgamento ou qualquer impacto profissional. Esse ponto precisa estar presente tanto na comunicação institucional quanto no comportamento das lideranças. 

Preparar líderes para acolher e encaminhar 

Uma conversa estruturada com gestores pode orientar como agir diante de sinais de sofrimento emocional — sem invadir, pressionar ou tentar resolver sozinho. 

Revisar os benefícios disponíveis 

Setembro também pode ser um bom momento para o RH avaliar se o pacote atual responde às necessidades reais dos colaboradores — com apoio de uma consultoria em benefícios para empresas que ajude a mapear o que existe no contrato e o que pode ser melhorado. 

Onde entram financeiro, compras e diretoria nessa conversa?

Saúde mental não é responsabilidade exclusiva do RH. 

Financeiro, compras e diretoria também participam dessa decisão, porque benefícios corporativos envolvem orçamento, contrato, negociação e estratégia de pessoas. 

Quando a empresa discute Setembro Amarelo com maturidade, ela entende que cuidado não é apenas campanha — é estrutura. Isso inclui avaliar: 

  • Se o plano de saúde empresarial tem rede adequada de saúde mental
  • Se os colaboradores conseguem acessar atendimento com facilidade
  • Se a comunicação dos benefícios é clara e chega de verdade às pessoas
  • Se a empresa está em conformidade com a NR-1 e a gestão de riscos psicossociais
  • Se os benefícios contratados estão sendo usados de forma estratégica

  

Para a diretoria, esse olhar conecta saúde mental com gestão de riscos, clima organizacional e retenção. Para compras e financeiro, ajuda a avaliar benefícios não apenas pelo preço, mas pelo valor que entregam às pessoas — e à operação. 

Como a Mediarh pode apoiar sua empresa

A Mediarh é uma consultoria plano de saúde SP que atua como braço direito do RH na escolha, negociação, implantação e gestão de benefícios corporativos

No contexto do Setembro Amarelo, esse apoio pode ser especialmente importante para transformar intenção em ação real, com suporte RH benefícios em frentes como: 

  • Análise dos benefícios já contratados e mapeamento de recursos de saúde mental disponíveis
  • Apoio na comunicação interna sobre canais de cuidado e uso do plano de saúde
  • Orientação sobre rede credenciada e caminhos de acesso a psicólogos e psiquiatras
  • Conexão entre saúde mental, saúde ocupacional e cumprimento da NR-1
  • Suporte ao RH em dúvidas operacionais dos colaboradores
  • Avaliação de oportunidades de melhoria no pacote de benefícios

  

O objetivo não é transformar a campanha em uma ação comercial. É ajudar a empresa a cuidar melhor, comunicar melhor e usar melhor os benefícios que já fazem parte da estratégia de pessoas. 

Porque benefício corporativo bem gerido não aparece só na renovação do contrato. Ele aparece quando o colaborador precisa de orientação e sabe onde encontrar apoio. 

Setembro Amarelo precisa sair do discurso e chegar no acesso 

O Setembro Amarelo é um convite importante para empresas falarem sobre prevenção ao suicídio e saúde mental no trabalho. 

Mas a campanha só ganha força quando sai da mensagem genérica e se transforma em orientação prática: canais de apoio comunicados, lideranças preparadas, benefícios mapeados e acesso facilitado. 

Empresas não precisam ter todas as respostas. Mas precisam criar caminhos seguros para que as pessoas encontrem ajuda. 

Quer mapear o que o plano de saúde da sua empresa oferece em saúde mental e como comunicar isso de forma clara para os colaboradores? A Mediarh pode ajudar o RH a transformar recurso disponível em acesso real. 

Perguntas frequentes

O que é o Setembro Amarelo e por que importa para empresas? 

O Setembro Amarelo é a maior campanha antiestigma do mundo voltada para a prevenção ao suicídio. Em 2025, o Brasil registrou 16.533 mortes por suicídio — 45 por dia, segundo o Ministério da Justiça. Para empresas, o tema importa porque sofrimento emocional afeta produtividade, engajamento, absenteísmo e retenção. E porque a NR-1 atualizada (2025) tornou obrigatória a gestão de riscos psicossociais no trabalho. 

O que o RH pode fazer no Setembro Amarelo além de campanhas visuais? 

Mapear a rede credenciada de saúde mental disponível no plano, criar um guia simples de acesso ao cuidado, orientar lideranças para acolher e encaminhar, comunicar o CVV (188) e outros canais de apoio, e avaliar se os benefícios atuais atendem às necessidades reais dos colaboradores. 

A empresa tem obrigação legal relacionada à saúde mental dos colaboradores? 

Sim. A NR-1 atualizada, em vigor desde 2025, tornou obrigatório que empresas identifiquem e gerenciem riscos psicossociais no trabalho — o que inclui condições que afetam a saúde mental dos colaboradores. Ignorar esse tema representa um risco jurídico real, além do impacto humano. 

Como o plano de saúde empresarial pode apoiar a saúde mental dos colaboradores? 

Dependendo da operadora e do contrato, o plano pode oferecer acesso a psicólogos, psiquiatras, telemedicina e programas de cuidado. O problema é que muitos colaboradores não sabem que esses recursos existem ou como acessá-los. Mapear a rede credenciada de saúde mental e comunicar esse acesso de forma clara é uma das ações mais efetivas que o RH pode tomar. 

Qual é o número do CVV e como funciona? 

O CVV — Centro de Valorização da Vida — atende pelo telefone 188, de forma gratuita, 24 horas por dia, todos os dias do ano. O atendimento é sigiloso e pode ser feito também por chat em cvv.org.br. As empresas podem e devem divulgar esse número em comunicações internas como parte de uma política de cuidado. 

Fontes consultadas 

Ministério da Justiça e Segurança Pública Mapa da Segurança Pública 2025 (dados de suicídio no Brasil) 

https://www.gov.br/mj/pt-br 

CVV — Centro de Valorização da Vida Dados e campanha Setembro Amarelo 2025 

https://cvv.org.br 

OMS / OPAS Dados globais sobre suicídio e saúde mental 

https://www.paho.org/pt/topicos/suicidio 

Site oficial Setembro Amarelo Campanha e dados 

https://www.setembroamarelo.com 

Ministério do Trabalho NR-1 atualizada, riscos psicossociais 

https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-01-atualizada-2024.pdf 

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